Afeto e superação: idoso de 80 anos conquista título de 'Mais longevo com síndrome de Down' do país

  • 17/08/2026
(Foto: Reprodução)
Idoso de São Manuel recebe título de “Mais Longevo com Síndrome de Down” do Brasil Chegar aos 80 anos é um marco para qualquer pessoa e até supera a expectativa de vida média dos brasileiros que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítisca (IBGE)), é de cerca de 76 anos. Para Neno e a família, no entanto, essa conquista é ainda mais especial. E virou recorde. João Carlos Melchiori, ou Neno, apelido pelo qual ficou conhecido, é morador de São Manuel (SP) e recebeu o título de “Mais Longevo com Síndrome de Down” do país, reconhecido pelo RankBrasil - Livro dos Recordes Brasileiro. Para além do troféu e do certificado que ganhou, as oito décadas dele representam a força do afeto e da superação. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Nascido em 1946, os 80 anos de Neno foram comemorados em 30 de maio de 2026. A festa reuniu a família e os amigos, proporcionando ao idoso algo que ele adora: cumprimentar e abraçar as pessoas. “Ele teve uma ansiedade muito grande (esperando pela festa). Quando chegou, ele estava muito feliz, cumprimentou todo mundo. Na hora do parabéns, curtiu para caramba, ficou eufórico. Ele adora abraçar e cumprimentar e isso foi muito gostoso", conta Rosane Melchiori, sobrinha de Neno. Outro momento feliz na vida do idoso ocorreu quando ele recebeu o troféu e o certificado que confirmam o título de “Mais Longevo com Síndrome de Down” do Brasil. “Ele ficou contente com o troféu, emocionado e até chorou. Nós, da família, também ficamos felizes pela vida dele e por continuar com a gente”, afirma. João Carlos Melchiori foi certificado como o mais longevo com síndrome de Down do país Arquivo Pessoal/Divulgação LEIA TAMBÉM Equipe de estudantes do interior de SP é premiada em mundial de robótica nos EUA Bailarina de 16 anos é única brasileira na Copa do Mundo da Dança e fica em 18º lugar na competição na Irlanda Aluno de 11 anos conquista vaga para representar o Brasil em competição internacional de matemática: 'Estudo transforma vidas', diz mãe Recorde brasileiro O contato com o RankBrasil foi feito pela família e a ideia surgiu da rotina médica de Neno, que sempre provoca comentários sobre a longevidade do idoso. A certificação do recorde foi feita pela instituição, que considerou documentos e laudos médicos para conceder o título. Rosane acredita que essa longevidade do idoso seja resultado do afeto e dos cuidados que ele recebeu desde a infância. Atualmente, Neno mora com a irmã, Hermínia, e conta com o auxílio de uma cuidadora. “Em setembro, ele teve um AVC isquêmico e percebemos apenas que ele não vira o pescoço para um lado e ficou mais difícil de entender a fala, mas ele está super bem”, explica a sobrinha. Neno e os pais, Rosa e João: cuidado e amor desde a infância Arquivo Pessoal/Divulgação Cuidado e proteção Se, por um lado, Neno sempre contou os cuidados da família, por outro, Rosane admite identificar uma superproteção da família. “Neno nunca saía sozinho e essa preocupação protegeu, mas, no final, acabou não permitindo que ele evoluísse em alguns aspectos, pois hoje vemos pessoas que são totalmente independentes. Ele tem certa autonomia, mas não aprendeu a escrever ou andar de ônibus sozinho, por exemplo, apenas acompanhado por alguém da família”, explicou. A sobrinha pondera, no entanto, que Neno é de uma época em que havia poucas informações sobre a síndrome de Down. “Também havia muito preconceito, diversas famílias escondiam as pessoas com síndrome de Down. Não foi o caso dele, que sempre estava junto das irmãs e conviveu em sociedade, mas a proteção acabou fazendo com que ele desenvolvesse apenas certas habilidades dentro de casa”, diz. Mas foram o cuidado e o afeto da família que fizeram com que Neno chegasse aos 80 anos com qualidade de vida e pudesse, inclusive, superar o preconceito do mundo. “Convivo com ele desde que nasci e, hoje, vemos a grandeza dessa chegada aos 80 anos do Neno. E vimos, também, o quanto ele é querido na cidade”. Amor e inclusão O amor, o acolhimento da família e a inclusão na sociedade são, para Rosane, as lições que ficam para quem convive ou tem algum familiar com síndrome de Down. “O preconceito ainda existe, as pessoas ainda olham diferente, mas precisamos acabar com isso. O cromossomo a mais que ele e as outras pessoas com síndrome de Down têm é o cromossomo do amor. A sociedade precisa colaborar com essa inclusão”, finaliza a sobrinha de Neno. A festa de 80 anos de Neno proporcionou ao idoso algo que ele adora: cumprimentar e abraçar Arquivo Pessoal/Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília. VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/08/17/afeto-e-superacao-idoso-de-80-anos-conquista-titulo-de-mais-longevo-com-sindrome-de-down-do-pais.ghtml


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