Após Ideb abaixo da média, Nunes defende terceirização de gestão escolar para melhorar indicadores em SP

  • 06/08/2026
(Foto: Reprodução)
Cidade de SP fica abaixo da média nacional no ranking de aprendizagem Reprodução/Secretaria Municipal de Educação de São Paulo Após a divulgação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu nesta quarta-feira (6) a ampliação do modelo de gestão compartilhada de escolas municipais com organizações da sociedade civil (OSCs) para elevar os indicadores de aprendizagem na rede municipal. A cidade registrou nota 5,8 nos anos iniciais do Ensino Fundamental – abaixo da média nacional de 6,1 – e ficou na 18ª posição entre as capitais brasileiras. Nos anos finais, o indicador que mede a qualidade do ensino básico foi de 4,9. Ambos os resultados representam melhora sutil em relação à avaliação anterior, mas continuam atrás do nível pré-pandemia. "A gente saiu daquela situação de queda, voltamos a uma situação de melhora, mas ainda está aquém daquilo que a gente deseja", reconheceu Nunes em entrevista a jornalistas. Segundo ele, a gestão tem como meta alcançar a nota 6 para os anos iniciais e 5 nos anos finais. Rede de ensino municipal de SP fica abaixo da média nacional no Ideb O prefeito defendeu que a rede deverá passar por mudanças para atingir este resultado. "Nós vamos conseguir bater essa meta com muita dedicação, mas é preciso mudar algumas questões do contexto de uma rede muito grande, que tem 1 milhão e 80 mil alunos, mais de 4 mil equipamentos de educação, e fazer como, por exemplo, a gente fez no Liceu [Coração de Jesus]", declarou. Localizada no Centro, a unidade citada pelo prefeito integra a rede municipal por meio de um convênio com a prefeitura desde 2022 e segundo Nunes vem apresentando resultados positivos, com níveis de aprendizagem superiores à média da cidade. No mês passado, a Secretaria Municipal de Educação lançou um edital para terceirizar a gestão de três novas escolas que estão em construção em bairros de periferia. "Um dos parâmetros colocados para conveniar com a prefeitura é de que os alunos dessas instituições educacionais tenham o Ideb maior do que o nosso. Portanto, a gente vai conveniar com alguém que já está com o Ideb maior", afirmou Nunes. A defesa da gestão compartilhada ocorre em meio a contestação judicial do projeto. Na semana passada, o Ministério Público de São Paulo e a Defensoria Pública ingressaram com uma ação civil pública pedindo a anulação da concorrência, argumentando que o modelo viola princípios constitucionais da educação pública e permite a terceirização de atividades típicas do Estado. O edital também foi questionado na Justiça por parlamentares do PSOL. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). JFDiorio/Secom/Divulgação/PMSP A prefeitura nega que haja privatização do ensino e reforça que as escolas continuarão públicas, gratuitas e subordinadas ao Currículo da Cidade, além de permanecerem sob supervisão das diretorias regionais de educação. Durante a entrevista, Nunes também associou a dificuldade em promover mudanças na rede municipal de ensino à atuação de sindicatos. Ele citou o afastamento de 25 diretores de escolas com baixo desempenho para participarem de requalificação, medida que foi contestada na Justiça e chegou a ser revertida liminarmente após ação movida pelo Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público do Município de São Paulo (Sinesp). Prefeitura vai terceirizar administração de escolas da rede pública "Não podemos nos acovardar e desistir de fazer aquilo que a gente acredita que é bom para os alunos", afirmou o prefeito. "Então, é importante colocar que a gente vem fazendo várias ações, muito investimento na área da educação, mas também compreender que é uma rede muito complexa, a maior cidade da América Latina", complementou, apontando os cerca de 17 mil alunos estrangeiros da cidade como parte da explicação para o resultado abaixo da média da rede municipal no Ideb. Liceu é referência para expansão do modelo de gestão compartilhada A proposta tem como principal referência a experiência do Liceu Coração de Jesus. Fundado há mais de um século, o colégio quase fechou as portas em 2022, depois de perder muitos alunos devido à degradação da região central e proximidade com a cracolândia. Para evitar o encerramento das atividades, a Prefeitura de São Paulo firmou um convênio com a instituição em dezembro daquele ano. Deste então, o Liceu passou a integrar a rede municipal. O colégio Liceu Coração de Jesus, no Centro de São Paulo, que agora acolhe mais de 500 estudantes da rede municipal da cidade. Divulgação/SME Atualmente, a unidade atende cerca de 570 estudantes em período integral e é frequentemente citada pela gestão municipal como exemplo do modelo que agora será expandido para outras regiões da cidade. Até então, experiências semelhantes na educação paulistana estavam concentradas principalmente nas creches conveniadas. Pela modelagem prevista no edital e na minuta do termo de colaboração, caberá às entidades selecionadas executar atividades pedagógicas, administrativas e de infraestrutura das escolas, incluindo a contratação de diretores, coordenadores pedagógicos, professores e demais funcionários, além da manutenção cotidiana dos prédios, limpeza, vigilância e aquisição de materiais e equipamentos. A Secretaria Municipal de Educação continuará responsável pela definição da política educacional, da supervisão pedagógica e das avaliações de aprendizagem. A alimentação escolar, o transporte dos alunos e a distribuição de uniformes e materiais didáticos também continua sendo atribuição do poder público.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/08/06/apos-ideb-abaixo-da-media-nunes-defende-terceirizacao-de-gestao-escolar-para-melhorar-indicadores-em-sp.ghtml


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