Após investigação, Ministério do Trabalho recomenda medidas para reduzir sobrecarga em UPAs de Presidente Prudente
03/06/2026
(Foto: Reprodução) Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Norte de Presidente Prudente
Emerson Sanchez/TV TEM
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recomendou que o Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista (Ciop) adote medidas para corrigir falhas de ergonomia e combater a sobrecarga laboral de funcionários nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Zona Norte e do Bairro Ana Jacinta, em Presidente Prudente (SP). A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (3).
A medida, de natureza extrajudicial e assinada pela procuradora do Trabalho Renata Aparecida Crema Botasso, surge após a constatação de diversos problemas que comprometem a saúde e a segurança das equipes nas unidades investigadas.
📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp
Sobrecarga e estrutura precária
As investigações apontaram que, embora não tenha sido constatado um déficit fixo de pessoal de enfermagem, os profissionais relatam sobrecarga laboral constante. O ambiente de trabalho apresenta falhas estruturais e ergonômicas específicas, tais como:
Poltronas quebradas na sala de medicação da UPA da Zona Norte;
Macas quebradas ou com o funcionamento comprometido em ambas as UPAs;
Cadeiras da recepção inadequadas para longos períodos de permanência na mesma posição em ambas as UPAs;
Ausência de concessão de pausas ergonômicas durante as jornadas de trabalho em ambas as UPAs;
Falta de programas de ginástica laboral em ambas as UPAs.
O inquérito também reuniu relatos de funcionários sobre o elevado volume de trabalho, rotatividade frequente de funções (entre a medicação e a observação), alto índice de absenteísmo (faltas) e a ausência de substitutos para profissionais em férias ou afastados por razões médicas.
UPA do Ana Jacinta em Presidente Prudente
Emerson Sanchez/TV TEM
Análises ergonômicas
Na recomendação, o MPT determinou que o Ciop elabore e implemente novas Análises Ergonômicas do Trabalho (AETs) que considerem as peculiaridades de cada ala das unidades de saúde. Essas análises deverão abordar de forma detalhada aspectos como:
Escalas de plantão e períodos de repouso (diurnos e noturnos);
Quantitativo efetivo de trabalhadores por turno e a distribuição real das tarefas;
Fluxos de comunicação interna e canais formais para registro de queixas de fadiga ou fatores psicossociais;
Avaliação da carga cognitiva, pressão de tempo, exigência emocional e fadiga mental;
Impacto das jornadas prolongadas na recuperação psicofisiológica e no desempenho dos funcionários;
Participação direta dos trabalhadores na validação das análises.
A procuradora Renata Botasso ressaltou que a organização do trabalho deve ser compatível com a preservação da saúde física e mental.
“As normas vigentes, notadamente a Norma Regulamentadora nº 17, impõem ao empregador a obrigação de assegurar condições organizacionais e ambientais compatíveis com a saúde, segurança e conforto dos trabalhadores, em especial em ambientes hospitalares de urgência e emergência, caracterizados por grande intensidade ocupacional”, afirmou a procuradora.
LEIA TAMBÉM
Mulheres vítimas de violência receberam R$ 822 mil em auxílio-aluguel no Oeste Paulista; saiba como buscar apoio
São Charbel, Padre Pio e mais: conheça histórias por trás de santos que têm imagens gigantes às margens de rodovia no interior de SP
Tucano baleado com chumbinho não resiste após cirurgia, amputação da asa e estresse no interior de SP
Prazos e penalidades
O documento estipula prazos diferentes para o cumprimento das obrigações por parte do consórcio:
10 dias: para o Ciop confirmar por peticionamento eletrônico que tomou ciência oficial do teor da recomendação;
30 dias: para cessar completamente a situação de sobrecarga laboral dos funcionários nas duas UPAs;
60 dias: para corrigir as irregularidades estruturais (cadeiras, poltronas e macas), conceder as pausas ergonômicas, aplicar a ginástica laboral e apresentar as novas análises ergonômicas concluídas.
O MPT advertiu que o descumprimento dos prazos ou a falta de resposta ensejará a imediata adoção de medidas administrativas e judiciais cabíveis, incluindo o ajuizamento de uma ação civil pública na Justiça do Trabalho.
O g1 solicitou posicionamento ao Ciop e aguarda retorno.
Initial plugin text
Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM