Casal condenado por tortura em clínica de reabilitação de Ribeirão Preto é preso em Portugal

  • 17/08/2026
(Foto: Reprodução)
Casal condenado por tortura em clínica de reabilitação em SP é preso em Portugal A advogada Marluci Cabrera Bellini Henares, de 49 anos, e o ex-marido Djalma Antônio Henares Júnior, de 56, foram presos em Portugal após serem condenados por tortura contra internos de uma clínica de reabilitação que mantinham em Ribeirão Preto (SP) há 12 anos. As prisões ocorreram em julho, cerca de um mês após o processo transitar em julgado, ou seja, tramitar em todas as intâncias sem a possibilidade de novos recursos no Brasil. Com isso, eles passaram a ser considerados foragidos e entraram para a lista de procurados da Interpol. Procurada para se manifestar sobre as prisões e a condenação, a defesa dos réus informou que não irá se pronunciar. 📱 Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O Ministério Público confirmou ter solicitado a extradição dos réus para que cumpram a pena no Brasil. "Eles não têm possibilidade de iniciar o cumprimento dessa pena em regime aberto ou semiaberto. Obrigatoriamente é fechado e assim eles deverão cumprir pelo menos dois terços da pena para posteriormente progredir ao semiaberto", explicou o promotor de Justiça Aroldo Costa Filho. Djalma Antonio Henanes Junior, preso em Portugal após ser condenado por tortura em clínica de reabilitação no Brasil. Reprodução/EPTV Tortura em clínica de reabilitação As investigações sobre a clínica no Recreio das Acácias datam de agosto de 2014, quando o Ministério Público e a Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão no local. Na ocasião, internos relataram sessões de espancamento com pedaços de madeira, agressões físicas e castigos humilhantes. Um dos pacientes denunciou que foi obrigado a cavar o próprio buraco, onde permaneceu enterrado até a cintura, e forçado a caminhar nu diante de outros colegas como forma de "disciplina". Durante a operação em 2014, as autoridades apreenderam cordas e pedaços de pau utilizados nos maus-tratos. Diligências em clínica de reabilitação em 2014 denunciada por tortura em Ribeirão Preto (SP). AcervoEP LEIA TAMBÉM Polícia prende funcionários de clínica suspeitos de tortura em Ribeirão Preto 'Saindo do inferno', diz paciente que alega ter sido torturado em clínica MP cumpre mandados em clínica para dependentes suspeita de tortura O processo judicial transcorreu por 12 anos até a confirmação das sentenças pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com a condenação de 17 anos e seis meses de prisão. Segundo Costa Filho, que atua no caso desde o início, foram ouvidos 24 ex-internos que relataram agressões físicas, uso de madeiras e violência sexual. “A população às vezes acredita que a punição não virá, mas esse processo é um exemplo de que a justiça, apesar de demorar um pouco, ela foi realizada e agora eles vão cumprir a pena pelos graves crimes que cometeram”, afirmou o promotor. Como a condenação é por crime hediondo, o cumprimento da pena deve ocorrer obrigatoriamente em regime fechado. Marluci Cabrera, condenada por tortura em clínica de reabilitação no Brasil Reprodução/EPTV Foragidos em Portugal Marluci e Djalma deixaram o Brasil logo no início do processo judicial, antes de haver um mandado de prisão expedido, e passaram a viver em Portugal. Lá, Marluci atuava como professora de zumba na região autônoma de Açores. Com a conclusão do processo em junho de 2026, a Justiça brasileira expediu os mandados de prisão. Como o casal já se encontrava no exterior, seus nomes foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, a lista internacional de procurados. As prisões foram efetuadas pela polícia de Portugal no mês de julho de 2026. Djalma Antônio Henares Júnior foi detido em 9 de julho, enquanto Marluci Cabrera Bellini Henares foi presa no dia 17 de julho. Após as detenções, o Ministério Público de Ribeirão Preto solicitou a extradição para que eles sejam transferidos para o sistema prisional brasileiro. De acordo com o promotor Aroldo Costa Filho, o tempo de prisão em Portugal já conta para o cumprimento da pena total. O processo de extradição segue trâmites diplomáticos e jurídicos entre os dois países. Clínica de reabilitação de Ribeirão Preto denunciada em 2014 por tortura contra pacientes. AcervoEP Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/08/17/casal-condenado-por-tortura-em-clinica-de-reabilitacao-de-ribeirao-preto-e-preso-em-portugal.ghtml


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