Objeto no motor ou falha: o que pode explicar explosão em motor de avião em aeroporto em Guarulhos

  • 30/03/2026
(Foto: Reprodução)
Vizinhos do Aeroporto de Guarulhos gravam avião em chamas e narram barulho de explosão A Força Aérea Brasileira (FAB) está investigando a explosão do motor de um avião da Delta Airlines após a decolagem do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na noite de domingo (28). A aeronave, um Airbus A330-300, transportava 272 passageiros e 14 tripulantes e tinha como destino a cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. Apesar do susto, o avião pousou em segurança e ninguém ficou ferido. A decolagem ocorreu às 23h49 e, poucos segundos depois, houve duas explosões no motor do lado esquerdo. Parte do material chamuscado caiu no gramado ao lado da pista e provocou um incêndio em uma área de mata. O piloto declarou "mayday" e acionou os bombeiros do aeroporto. Todo o voo durou cerca de nove minutos e 12 segundos, segundo a plataforma Flightradar24. Em poucos minutos, o fogo foi extinto. A causa oficial do incidente será determinada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Especialistas em segurança de voo ouvidos pelo g1, no entanto, apontam algumas hipóteses. Entre as principais delas estão a ingestão de objetos ou fauna (quando algo é sugado pela turbina), falhas em componentes, como as pás do motor, por defeito de fabricação ou manutenção, e mau funcionamento nos sistemas operacionais da aeronave. Segundo o especialista em gerenciamento de risco Gerardo Portela, dados históricos do Cenipa mostram que a entrada de objetos estranhos está entre as causas mais frequentes desse tipo de ocorrência. "Às vezes, têm aeronaves ou carro de transporte que deixam cair alguma coisa - até um parafuso. Na hora que o avião está ganhando velocidade, pode passar com a roda, levantar aquele objeto e pode entrar dentro da turbina, ficar alojado e, nos primeiros minutos, acontecer o que aconteceu", explica Portela. Motor de aeronave da Delta é alvo de explosão neste domingo (29), após decolagem no Aeroporto de Guarulhos, na Grande SP. Reprodução/Redes Sociais Outra possibilidade é a quebra de uma palheta da turbina. “Também pode haver uma falha operacional do sistema de compressão, como o chamado ‘compressor stall’ (estol de compressor), que provoca um desequilíbrio: passa combustível, mas não há ar suficiente para a combustão”, afirma Portela. Apesar das imagens impressionantes, o especialista em segurança de voo Roberto Peterka afirmou à GloboNews que o risco para passageiros e tripulação é reduzido, já que existem protocolos rigorosos para esse tipo de situação. "Então não podemos considerar como algo catastrófico. Houve uma emergência, sem dúvida, porém perfeitamente controlável dentro dos parâmetros de segurança estabelecidos", disse. Além disso, ele destacou que aeronaves comerciais são projetadas para voar com apenas um motor em funcionamento, o que garante segurança mesmo em casos de falha. Segundo Portela, o avião consegue se manter estável e realizar um pouso de emergência mesmo com uma das turbinas inoperante. “Basta um motor estar funcionando que é possível conduzir a aeronave com segurança até um pouso de emergência, sem problemas maiores. Ela é projetada para isso [...] O leigo pode imaginar que, com uma turbina só, o avião vai inclinar. Mas a aerodinâmica da aeronave é projetada justamente para compensar isso”, explica. Pouso de emergência Em situações de emergência, é comum que aviões permaneçam no ar por mais tempo para reduzir o peso antes do pouso, seja por meio da queima de combustível ou do chamado alijamento — quando o combustível é descartado em uma área segura. Portela explica que a decisão de gestão do combustível depende de cada caso. Pode haver queima em voo, alijamento ou pouso imediato. Tudo vai depender do peso da aeronave, da urgência da situação e dos riscos envolvidos, como a possibilidade de incêndio. O piloto de linha aérea Rafael Santos afirma que, neste caso, a gravidade da ocorrência exigiu um retorno rápido. “Foi uma situação diferente, com fogo intenso no motor seguido de explosão. Por isso, o piloto retornou imediatamente”, disse. Segundo ele, em emergências como esta, o procedimento padrão pode ser encurtado. “Normalmente, temos cerca de 25 minutos para executar todos os procedimentos antes do pouso. Neste caso, a aeronave pousou acima do peso máximo permitido, o chamado ‘overweight landing’, porque a situação exigia rapidez. O importante é que o avião chegou ao solo com segurança.” Motor de avião explode após decolagem de voo da Delta para os Estados Unidos neste domingo (29). Reprodução/TV Globo Treinamento no simulador Santos destaca que pilotos são treinados de forma rigorosa para lidar com falhas graves em motores. Segundo ele, os profissionais treinam em simuladores avançados, que reproduzem fielmente as condições reais. O objetivo é mitigar o risco inerente à aviação através de treinamento frequente e profissional. “O treinamento é específico para situações como fogo e falha severa no motor. Inclusive, há simulações de cenários extremos, como a perda completa do motor”, afirma. Segundo ele, os exercícios são feitos em simuladores avançados que reproduzem com fidelidade as condições reais de voo. “O simulador é extremamente complexo e simula quase tudo o que acontece na prática — exceto a fumaça. Esse treinamento é feito pelo menos duas ou três vezes por ano, com avaliação rigorosa. Isso reduz muito os riscos na aviação.” VEJA MAIS: Vídeo mostra explosão de motor em avião após decolagem em Guarulhos Motor de avião que ia para os EUA explode após decolagem no Aeroporto de Guarulhos; aeronave fez pouso de emergência Pânico dos passageiros "Era medo de morrer de verdade", diz passageira que estava no voo que motor explodiu em SP Passageiras do voo da Delta Airlines narraram o desespero que sentiram dentro da aeronave no momento da explosão após a decolagem. Moradora de Atlanta, nos Estados Unidos, a vendedora de software Danielle Willig disse que só pensou na família e teve medo real de morrer, ao perceber que o avião estava em situação de emergência. “Nunca passei por um desespero tão grande na minha vida. De ver o avião que não subia, não subia. De ter uma pessoa do meu lado me acalmando. Mas eu nunca senti esse medo de voar. Eu voo muito. Mas era um medo de morrer de verdade. De olhar e ver que o avião não subia. Eu só pensava na família”, contou ela ao Bom Dia SP, da TV Globo. “Eles acabaram voltando. Mas era tudo tão baixo, e a gente dentro do avião não tinha ideia do que estava acontecendo. Logo que o trem de pouso subiu, eu achei que era o barulho do trem de pouso. Um barulho normal que geralmente faz. E depois veio uns gritos lá de trás: ‘Fogo, fogo, fogo’, que eu não vi porque eu estava na janela do outro lado, um pouco mais para frente”, declarou. Daniela disse que, depois do susto, foi encaminhada para um hotel nas imediações do aeroporto, mas só conseguiu dormir por uma hora. Após ter percebido o risco que correram dentro da aeronave, não conseguiu mais pegar no sono. “Por incrível que pareça, achei que todo mundo ficou muito calmo. Foi tudo surreal. Depois que vi os vídeos no Instagram, da pessoa falando: ‘Tá pegando fogo, vai cair o avião’, que me dei conta da gravidade do que a gente viveu. Só consegui dormir uma hora. Estou acabada”, contou. A maquiadora Aline Araújo também afirmou que os passageiros não entenderam muito o que estava acontecendo dentro da aeronave. “Não deu nem tempo de pensar muito porque foi logo depois da decolagem. A gente começou a subir, o avião teve a primeira explosão, foi um clarão dentro do avião, ninguém entendeu nada o que estava acontecendo. Graças a Deus, o piloto foi genial, genial. Quando ele falou, estava supercalmo, e o pouso foi melhor do que a gente pensava”, disse. Já a assistente contábil Renata Liehy contou que só pensou na morte durante a situação de emergência. “Senti muito pânico, só pânico. Medo, medo de morrer, você vê o avião pegando fogo, né, o que você vai pensar...” Em nota, a GRU Airport, responsável pela gestão do aeroporto, informou que, "em função de problemas técnicos durante a decolagem de uma aeronave na noite deste domingo (23), a GRU Airport informa que contabilizou 14 voos alternados e 28 foram cancelados entre chegadas e partidas". A assistente contábil Renata Liehy e a maquiadora Aline Araújo, que estavam no voo da Delta Airlines. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Turbina de avião explode durante decolagem no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande SP, na noite deste domingo (30). Reprodução/TV Globo Nota Delta Air Lines: “O voo 104 da Delta, de São Paulo para Atlanta, retornou ao aeroporto logo após a decolagem na noite de domingo, após um problema mecânico no motor esquerdo da aeronave. O Airbus A330-300 pousou em segurança e foi recebido pela equipe de combate a incêndio aeroportuário (ARFF), e os passageiros foram levados de ônibus até o terminal. A segurança de nossos clientes e da tripulação é nossa maior prioridade. Pedimos desculpas aos nossos clientes por esse atraso em suas viagens. Informações adicionais: Voo 104 da Delta, de São Paulo (GRU) para Atlanta (ATL), em 29 de março. Aeronave Airbus A330-300, com 272 passageiros e 14 tripulantes. Equipes da Delta estão trabalhando para reacomodar os passageiros e levá-los com segurança ao seu destino." Bombeiros controlam as chamas em turbina de avião da Delta no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, neste domingo (29). Reprodução/TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/30/objeto-no-motor-ou-falha-o-que-pode-explicar-explosao-em-motor-de-aviao-em-aeroporto-em-guarulhos.ghtml


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