Startup aposta na força do oceano para revolucionar geração de energia limpa

  • 23/04/2026
(Foto: Reprodução)
Maurício Queiroz é físico, professor, inventor e CEO da Tidalwatt, uma startup que aposta na força do oceano para produzir energia limpa Divulgação Sim, é possível inovar e inventar algo que não existe e melhorar o mundo. E foi pensando nisso que o físico, professor, inventor e mergulhador Mauricio Queiroz fundou a Tidalwatt. Ele é o criador da Unidade Coletora de Energia de Corrente (UCEC), uma tecnologia patenteada em 46 países que inaugura um novo paradigma no aproveitamento sustentável da energia dos oceanos. Mauricio contou sobre a experiência aos alunos da ETEC durante o encerramento do Projeto de Inovação e Sustentabilidade, promovido pela Associação de Engenheiros e Arquitetos de Itanhaém (AEAI). Alunos da ETEC de Itanhaém, engenheiros e arquitetos participam do encerramento do Projeto Inovação e Sustentabilidade Divulgação Sala lotada, olhos atentos, alunos interessados é um ambiente comum para ele. Com trajetória acadêmica consolidada, Maurício lecionou em instituições de ensino Superior e Médio em São Paulo, e ao se mudar para o litoral paulista, passou a atuar na rede pública e em cursos preparatórios, ao mesmo tempo que ampliava sua admiração e conexão com o mar. Como surgiu a invenção Foi aqui no Litoral Paulista, em 2018, numa experiência de mergulho que Maurício teve um insight para o potencial energético do oceano. “Foi quando me tornei um inventor na área de energia renovável. Ao longo dos últimos anos eu tenho me dedicado ao desenvolvimento de uma nova abordagem, que é científica, para o aproveitamento da energia das correntes naturais, especialmente do oceano. E essa jornada nasceu justamente dessa experiência e de uma inquietação sobre esse potencial que evoluiu para uma proposta tecnológica projetada como uma turbina com potencial de impacto global na geração de energia renovável segura”. No ano seguinte, o pesquisador materializou a primeira versão desta turbina capaz de captar energia das correntes naturais. A partir daí, iniciou uma série de estudos teóricos e testes práticos para validar o conceito. Os primeiros protótipos foram produzidos com o uso de impressão 3D e testados pelo próprio professor. Paralelamente, Maurício aprofundou-se na base científica do projeto, desenvolvendo modelos relacionados à teoria cinética e à dinâmica dos fluidos. Mauricio explica como funciona a proposta para geração de energia limpa Divulgação A proposta evoluiu e resultou na fundação da Tidalwatt, uma startup voltada à transformação da invenção em um produto comercial viável. “Quero transformar a invenção, que é essa turbina, em um produto. A transformação não é só da captação da energia mecânica presente nas correntes, mas a conjunção com outros dispositivos, especialmente um gerador elétrico, em que a invenção se torna parte de um conjunto hidrogerador. Daí, eventualmente, comercializar o próprio hidrogerador ou a energia gerada por ele, a partir de usinas próprias, e/ou licenciar a patente para outras empresas”, conta o inventor. Benefícios da invenção A ideia central é montar hidrogeradores capazes de converter a energia mecânica das correntes marítimas e fluviais em eletricidade. Segundo o idealizador, a tecnologia apresenta vantagens estratégicas em relação a outras fontes renováveis. Diferentemente da energia hidrelétrica, solar e eólica, que dependem da ocorrência de condições naturais favoráveis nem sempre disponíveis de forma contínua, as correntes oceânicas são persistentes e previsíveis. “A proposta é viabilizar uma fonte de energia limpa, previsível e continuamente disponível, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e ampliando o acesso à energia em locais onde outras soluções enfrentam limitações, como regiões ribeirinhas isoladas. Estive em uma aldeia indígena no Acre onde há um rio com fluxo significativo ao longo de todo o ano. Embora grande parte do mundo enfrente sazonalidade nas chuvas, naquela região o regime hídrico é abundante. Ainda assim, a construção de hidrelétricas é inviável devido à geografia local, que exigiria alagamentos extensos e ambientalmente impactantes. Ao mesmo tempo, a energia cinética da corrente do rio está ali, disponível, mas ainda não é aproveitada, e a energia elétrica não chega à comunidade. A proposta é justamente transformar esse fluxo contínuo em uma fonte acessível e sustentável de energia.”, conta Mauricio. Como são as turbinas Turbinas ocupam toda passagem da água e segundo o inventor, conseguem extrair energia de forma mais eficiente Divulgação A inovação também se destaca pelo funcionamento das turbinas. Diferente dos modelos convencionais, que se baseiam na desaceleração do fluxo de água, a geometria da turbina, ocupa toda a área de passagem da água forçando-a a mudar de direção. Isso permite uma extração de energia mais eficiente, evitando as perdas comuns que ocorrem em modelos tradicionais, como nas turbinas eólicas, que possuem espaços entre as hélices. “Elas (as UCECs) possuem uma geometria que busca evitar zonas de bypass, ou seja, são turbinas que ocupam totalmente a seção, por onde passa o escoamento, ou seja, a água. A interação é total na área da turbina. Não são como as eólicas, que têm vãos enormes entre as três hélices. Com esse formato, o aproveitamento energético é significativamente ampliado. A capacidade de geração pode chegar a ser até 400 vezes superior à de tecnologias convencionais”, conta Apesar do potencial promissor, a tecnologia ainda está em fase de validação experimental. Para um dos modelos de testes, só o rotor (a parte que gira), demorou 40 dias para ficar pronto e foi feito a partir da impressão 3D. A usinagem dos metais (eixo, carenagem e mancal) e a montagem dos componentes (rolamentos e retentores) demorou mais 30 dias. Atualmente, os protótipos passam por testes controlados que buscam comprovar sua eficiência em diferentes condições. A expectativa é avançar gradualmente para aplicações em escala real, consolidando a proposta como uma alternativa viável dentro do setor energético. Análise final Estudantes tem papel fundamental na construção de um futuro mais Divulgação Para Maurício, a inovação vai além da tecnologia em si. Ele destaca a importância de estimular o pensamento crítico e criativo entre estudantes, incentivando novas abordagens para desafios já conhecidos. “Muitas soluções surgem justamente do questionamento de modelos considerados definitivos, o que reforça o papel da educação na construção de um futuro mais sustentável. A inovação nasce muitas vezes da coragem de questionar o que já é considerado definitivo. Além disso, despertar o interesse por soluções energéticas sustentáveis é essencial para o futuro do planeta. A disseminação do conhecimento sobre energias renováveis também é vista como fundamental para formar profissionais preparados para lidar com as demandas ambientais do século XXI”, finaliza.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/especial-publicitario/associacao-de-engenheiros-e-arquitetos-de-itanhaem-inovacao-e-sustentabilidade-em-itanhaem/noticia/2026/04/23/startup-aposta-na-forca-do-oceano-para-revolucionar-geracao-de-energia-limpa.ghtml


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